STRESSE E BURNOUT
Atualizado: 23 de mai. de 2023
«No health without mental health» «Sem saúde mental, não há saúde»
Artigo escrito pela Dra. Antónia Fernandes, Psicóloga Clinica. (maio, 2023)

O stresse é um processo de resposta inscrito nas interações e relações do indivíduo com o seu meio (interno e externo). O meio oferece resistências, dificuldades e desafios potencialmente causadores de stresse (stressores). Os stressores são qualificados e quantificados pela percepção e representação individual associadas às experiências e vivências, ao estado psicossocial, bem como ao momento histórico-cultural social e pessoal, exemplo da pandemia. Se avaliados como uma ameaça ao equilíbrio são desencadeados esforços de adaptação (Modelo Transacional de Lazarus, 1980, 1984).
Assim, numa situação de stresse há uma alteração significativa e perturbadora dos processos de interação com os outros e com o próprio - inter e intrapessoais, a sua manutenção, ou seja, se o contexto stressante se intensifica e prolonga no tempo pode conduzir ao burnout.
De acordo com o relatório do custo do stresse e dos problemas de saúde psicológica no trabalho, em Portugal da OPP (Ordem dos Psicólogos Portugueses, 2023) estima-se que as empresas portuguesas em 2022 perderam 5,3 mil milhões de euros: o custo da perda de produtividade causada pelo tempo de trabalho perdido devido ao absentismo (8 dias - €1,8 mil milhões) e pelo tempo de trabalho perdido devido ao presentismo (15,8 dias - €3,5 mil milhões), havendo uma subida de 60% relativamente a 2020.
Segundo o mesmo relatório: “A prevenção e a promoção da Saúde Psicológica e do bem-estar nas empresas portuguesas podem reduzir as perdas de produtividade pelo menos em 30% e, portanto, resultar numa poupança de cerca de 1,6 mil milhões de euros por ano.”(pp.8)
A prevenção do burnout e o investimento em programas psicossociais de prevenção do stresse, gestão de conflitos, relações interpessoais e promoção do bem-estar, entre outras, são estratégias organizacionais que valorizam o bem-estar, a motivação pessoal e a saúde, priorizando a vida dos colaboradores, o clima organizacional e o sucesso. Considerando que as próprias empresas estão em processo de adaptação à crise pandémica, aos avanços tecnológicos e ao contexto histórico-cultural de pré-guerra mundial é importante ter uma estrutura de recursos humanos resiliente, dedicada e interessada no sucesso organizacional.
No total, a perda de produtividade pode custar às empresas portuguesas até 1,4% do seu volume de negócios. (...) O sucesso e a sustentabilidade das organizações passam imperiosamente pelo investimento na construção de Locais de Trabalho Saudáveis, criadores de Saúde Psicológica e bem-estar, nomeadamente através da avaliação, prevenção e intervenção nos Riscos Psicossociais que afectam o trabalho e os trabalhadores/as. (pp.8)
O stresse laboral ou ocupacional tem graves consequências para as organizações e seus colaboradores, entre outras, o baixo envolvimento do colaborador(a) com o trabalho, baixa satisfação, absentismo e presentismo. O(a) colaborador(a) queixa-se de fadiga, frustração e falta de motivação, há um aumento de comportamentos agressivos, dificuldades na gestão de conflitos e na relação interpessoal com colegas e superiores hierárquicos. Investir na saúde mental - OMS (Organização Mundial de Saúde) define-a como «um estado de bem-estar em que o indivíduo consegue utilizar as suas capacidades, enfrentar os stressores normais da vida, trabalhar produtivamente e contribuir para a sua comunidade» e na prevenção do burnout é importante
saber que:
● A saúde mental gera a realização pessoal, a autonomia, o sentir e pensar com liberdade, o amar sem medo, facilita as relações com os outros, o tirar prazer do trabalho e impulsiona usufruir, aproveitar e apreciar a vida; a Uma organização é um contexto social com relações interpessoais próprias, percepções individuais, atitudes, expectativas comportamentais, normas sociais e elementos psicossociais exclusivos com consequências no ambiente laboral e na relação com outras empresas;
● Estratégias organizacionais que priorizam o bem-estar e a motivação dos colaboradores investe na sua própria valorização, no reconhecimento social, na reputação e prestígio;
● O sucesso de uma empresa depende do equilíbrio entre os interesses e objetivos da organização, do grupo e do indivíduo.
Uma empresa ou organização que promove o bem-estar dos seus colaboradores é uma estrutura projetada para o sucesso.
PROCESSO DE STRESSE
Sendo o stresse um processo individual de respostas a algo que ameaça e testa os nossos limites, ele pode ser resolvido de duas maneiras: o factor de stresse desaparece ou a pessoa enfrenta (mecanismos de coping) e se adapta. A adaptação é um processo contínuo de interação sujeito/contexto e tem como função a homeostasia ou seja o equilíbrio emocional, físico e social. Numa situação de stresse há uma alteração significativa e perturbadora dos processos de interação traduzidos em dificuldades relacionais, resistência à mudança, oposição, negação, contrariedade, alteração dos processos de interação e de adaptação, entre outros. O esforço de adaptação é um processo que o indivíduo desenvolve intencionalmente para fazer face às exigências colocadas e tem como meta recuperar o bem-estar e o equilíbrio. A resolução da situação de stresse envolve necessariamente o desenvolvimento premeditado do processo de adaptação e mobilização de recursos (internos e externos) para eliminar ou integrar os stressores no processo de interação, recuperando a homeostasia e construindo um novo equilíbrio, essencial e vital à sobrevivência. A ineficácia do processo de adaptação (mecanismos de coping) ou a manutenção das condições de stresse, dos stressores e o esgotamento de recursos (internos e externos) podem conduzir ao burnout, e pode estar na origem da ansiedade, depressão, hipertensão ou mesmo provocar a morte (enfarte do miocárdio, AVC-Acidente Vascular Cerebral).
BURNOUT – síndrome cuja principal característica é o estado de esgotamento, exaustão, tensão emocional e stresse crónico provocado por condições laborais. Manifesta-se com maior frequência em profissionais cuja atividade exige envolvimento interpessoal direto e intenso. Alguns sintomas: dor de cabeça, enxaqueca, insónia, cansaço, palpitações, irritabilidade, dificuldades de concentração, ansiedade, alterações bruscas de humor, depressão. É impossível evitar situações de stress, é impossível eliminar a mudança, o desconhecido, as oportunidades, os desafios, as perdas, a tristeza e a alegria, o insucesso e o sucesso. Mas é possível construir o bem-estar a partir de momentos, situações stressoras e potencialmente desequilibrantes, mobilizar recursos e construir novos e melhores equilíbrios. E... se, eventualmente sentir que tem dificuldades em descobrir formas ou estratégias para o gerir ou sentir que todas as suas estratégias de adaptação estão esgotadas, saiba e lembre-se que pode sempre pedir ajuda.
Quer saber mais? agende um consulta com a Dra. Antónia Fernandes.




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